Coliseu
Rua Passos Manuel
19 Dezembro 1941
Aberto a todos os espectáculos
Companhia de Seguros Garantia, actualmente Ass. Amigos do Coliseu

O Coliseu do Porto foi inaugurado no dia 19 de Dezembro de 1941, sendo a partir daí a maior e mais completa sala de espectáculos do Norte de Portugal. Construído no local onde desde 1908 funcionava o Jardim Passos Manuel.
No dia 20 desse mês escrevia o Jornal de Notícias:
O Coliseu abriu as suas portas. Ambiente artístico- de grande elegância. Casacas, smokings, robes de noite, fardas, condecorações. As ruas próximas - Passos Manuel, Formosa Fernandes Tomás - pejada de automóveis.

E no Tripeiro V Série-ano-I escrevia:
« Em 19 Dezembro de 1941, foi inaugurado o Coliseu do Porto. Ar solene, de gala, e um ambiente de justificada curiosidade.

O interesse despertado durante os 22 meses que demorou a sua construção, pôs os portuenses num estado de espectativa ansiosa pelas maravilhas que já dele se contavam.
De facto, ao abrir as suas portas, o Coliseu foi, para todos, uma revelação. O Porto sentiu-se mais orgulhoso de si por poder mostrar que no seu seio, existe ainda, como outrora, o espirito votado a grandes revelações.
Como Casa de espectáculos para as modalidades de teatro, cinema e circo, o Coliseu do Porto tanto honra o País, como honraria qualquer grande cidade da Europa. Cá, não sofre confrontos; lá fora, poucas com ele rivalizam.
A ideia de dotar o Porto com um Coliseu, com o seu Coliseu, vinha de longa data e constituia uma das mais justas aspirações da cidade. Já desde 1911 que se vinham fazendo estudos e tentativas para isso. No entanto, só ao cabo de trinta anos, essa ideia encontrou quem a materializasse, não só com a forma do nosso tempo, mas também comuma larga visão do futuro.
O incansável propagandista e infatigável animador da sua construção, que se chama João José da Silva, tinha encontrado quem o compreendesse na pessoa do Sr. Joaquim José de Carvalho, presidente do conselho de Administração da Companhia de Seguros Garantia, cuja perserverança e vontade se igualaram, em altura e grandeza, à sonho de João Silva.
E foi deste modo que o Porto teve o seu Coliseu. Três nomes se aliam, convém não esquecê-lo, aqueles dois: os de Raul Marques, Adão Vaz e Conde da Covilhã, também do Conselho de Administração da mesma Companhia, os quais, contagiados pelo fluxo da própria ideia, igualmente concorreram para a sua magnifica consolidação.
A construção do Coliseu do Porto veio, ainda, demonstrar o quanto de útil e de grandeza da nossa terra se poderia projectar com o formidável potencial financeiro que para aí está parado, em parte, até, ingloriamente gelado, nos cofres da Banca portuense!
O quanto, em obras de interesse imediato e duradoura projecção, se poderia fazer com as astronómicas somas que constituem as reservas das grandes empresas nacionais!
Só por isso - por intelegente e utilmente terem alicado uma obra de valorização citadina, as disponibilidades financeiras da "Garantia" -, os nomes apontados merecem a simpatia de todos os portuenses, verdadeiramente amigos do progresso da sua terra.
Pode parecer reclamo, mas não é. Regista-se um facto e tira-se dele a sua conclusão lógica. Com as reservas duma empresa, o Porto ganhou um monumento, no género, hoje, único no País, de que os "Tripeiros" se orgulham. Isso é o que interessa ser focado nesta página.
O Coliseu com os seus 3300 lugares espaçosos, honra a cidade. A técnica moderna aplicou ali tudo quanto uma casa de espectáculo exige nos nossos dias. A higiene e o conforto, tanto para o público como para os artistas, ali se encontram também aplicados, de harmonia com as exigências do nosso tempo. à grandiosa construção, ainda, ligados os nomes do Engº Teixeira Rego e Arquitectos Júlio de Brito, Cassiano Branco e Mário Abreu.
Concluíndo: sob as ruínas do velho "Passos Manuel", de tão velhas como gloriosas tradições portuenses, pede a generosa vontade dos homens, com o dinheiro duma das maiores empresas portuensesa "Garantia" -, erguer uma das mais modernas, das mais belas e das mais grandiosas do Porto e de Portugal. Bem hajam! »

Era assim que escrevia o "Tripeiro", afamada revista portuense. Pelo Coliseu para além de cinema passou: Óperas, Operetas, Zarzuelas, Drama, Comédia, Revista, Bailes, o tão conhecido Baile de Carnaval, Feiras e mais actualmente Concertos, desfiles de moda, etc. Em 1995 sofre um atentado por parte da empresa Aliança UAP que pretende vender o Coliseu à IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), para utilizar o espaço como Igreja Matriz, mas a força do povo portuense e a sua indignação, levou a população a uma grande manifestação de milhares de pessoas à rua Passos Manuel, mais promenores são dados no espaço "O COLISEU É NOSSO"(BREVEMENTE)

3016
Dez.1983
1988
Abr. 1942
"Zé Povinho" Teatro
Inauguração 1941
Filme: ALA ARRIBA
Ciclo de Cinema Português Ago 1951
Filme: Império do Sol
1988
Foto PF 1992